Friday, December 15, 2017

Precisamos falar sobre JK Rowling e Johnny Depp


Eu geralmente me abstenho de falar sobre polêmicas nas redes sociais. Mas eu tenho sentido vontade de falar sobre a polêmica envolvendo JK Rowling e Johnny Depp, em “Animais Fantásticos”. Eu ainda admiro muito a JK e esse texto não tem o objetivo de criticá-la, mas expor minha opinião e tentar lançar luz sobre algumas questões.
Desde ano passado, as pessoas incomodaram-se com a participação de Johnny Depp no primeiro filme. Agora ele tem um papel maior na sequência. Johnny foi denunciado, pela ex-mulher, por violência doméstica. A maioria dos fãs não gostou de ter um agressor ligado à série.
JK Rowling separou-se do primeiro marido, Jorge Arantes, por ele ser violento, apesar de ela nunca ter confirmado isso. Ela sempre se pronuncia contra práticas machistas(fez isso com Trump, várias vezes). Porém, JK Rowling se contradisse. Eu creio que ela tem poder de veto em relação ao elenco. Ela tinha em Harry Potter. Se ela realmente se incomodasse com o ator que interpretaria Grindellwald, teria interferido. Assim, acredito.
O fato é que Jo vem se contradizendo muito. Primeiro, foi Cursed Child. Estou para entender como ela autorizou aquela história que praticamente “destrói” os outros sete livros. Depois houve uma atriz negra interpretando Hermione. Longe das polêmicas racistas, se Hermione sempre foi negra por que não o foi nos filmes de Harry Potter? Talvez no começo dos anos 2000 – e até hoje – protagonistas brancos sejam mais apreciados por Hollywood. Jo bateu o pé pelo casting britânico, então seria apenas um detalhe pedir que a atriz de Mione fosse negra. Mas, como disse a sra Weasley “não abocanhe mais do que pode mastigar”.
Eu cheguei a dizer no meu Twitter que se todos os homens violentos fossem demitidos a economia quebraria. Que a ex-mulher de Depp aceitou o acordo e ela deveria ser a mais interessada na condenação dele. Contudo, eu pensei bem. Eu tenho visto mulheres passarem por humilhações e violência e levarem isso na normalidade. A violência nem sempre é explícita. Imagine um ratinho correndo pelo rodapé da sua casa, no escuro. Você nem sempre percebe, mas ela está ali. Se você vai acender a luz e expulsar o rato, é decisão sua.
Acho muito fácil jogarmos a responsabilidade apenas sobre Rowling. Temos as atrizes, a diretora de arte, a figurinista, que também poderiam ter se pronunciado. A música de Gabriel, O pensador diz: “A gente muda o mundo na mudança da mente/ e quando a mente muda a gente anda pra frente/ e quando a gente manda ninguém manda na gente”. Enquanto não mudarmos a mente sobre a violência contra a mulher e deixar de nos calar, o mundo continuará o mesmo. Jo está em uma posição em que ninguém manda nela e ela pode se recusar ouvir – ou ler – críticas. Ela só não pode se esquecer que está em uma posição na qual sua voz pode ser ouvida em benefício das mulheres.

Eu aprendi, com os livros de JK Rowling e com a história de vida dela, a não tolerar abusos, me posicionar contra a violência e lutar pelos oprimidos. Se, com o tempo, ela própria começou a fazer vista grossa, em nome de Hollywood, apenas posso lamentar. 

Soraya Freire é escritora, gestora ambiental e estudante de Letras. É fã de JK Rowling e de Animais Fantásticos, mas não do atual cenário de Hollywood.

Tuesday, December 5, 2017

(Resenha) Teia de Vidro, de Aurelio Nery




"Da mesma forma que a história de um livro não vive sem os seus leitores, 
uma lembrança também não vive sem aqueles que a guardam a memória."
Aurélio Nery

Quando eu comecei a ler “Teia de Vidro”, de Aurélio Nery, não me sentia à vontade. Sou cristã daquelas mente fechada, não vou mentir. Nunca li um “Romance gay”. Mas quando nós vamos além dos preconceitos podemos descobrir um mundo fantástico.
Teia de Vidro se passa em um mundo futurista, “pós-apocalíptico”, onde a Terra foi praticamente destruída. No Arranha-Céu, uma estrutura espacial, uma pseudo-Terra, moram os descendentes dos Terráqueos. Aos cinco anos, algumas crianças são escolhidas para morarem no Núcleo, estudarem e se profissionalizarem. Um desses estudantes é Hunter Lima. Ele é um cara curioso, que se vê tentado pelo novo professor e Destruidor(espécie de guarda do Núcleo), Ícaro Medrado. O sr. Medrado é misterioso e está ligado ao Projeto 69. Hunter decide, então, descobrir o que ele esconde. Enquanto isso se preocupa com seu amigo, Caio, que é viciado em Alucinógenos. Essas drogas podem tornar a pessoa um Infectado. Então ela será banida e terá que voltar à Terra, onde o Vírus domina tudo. Hunter também acredita ser um Infectado. 


Há muitos detalhes no intrincado enredo criado pelo autor, mas, claro, que não posso contar tudo. Durante a leitura, vemos os vislumbres das influências de Harry Potter e Jogos Vorazes. A escrita se mantém em um nível alto, com descrições concisas, bom uso de adjetivos e advérbios. Há um pequeno deslize no uso do “lhe”, porém nada que prejudique o enredo.
Os personagens são descritos em situações em que comem feijoada e cuscuz. E você pode pensar: “What the f...!?”, mas é daí que vem a genialidade de Nery. Vemos a influência norte-americana, mas ele mantém a conexão com a cultura brasileira e traz uma distopia para nosso continente, com o nosso jeito, nosso regionalismo.
Já ouvi comentários sobre Jogos Vorazes, que a história era ótima até que a autora colocou romance. Poderia dizer a mesma coisa sobre Teia de Vidro, porém não sejamos hipócritas. Tirando raras exceções, todos estão procurando romance. E a história de Aurélio Nery se desenvolve não por causa do romance, mas através dele. Enquanto eu me preocupava com o romance gay, isso é apenas um detalhe. Assim como na vida. Ninguém se define por sua homoafetividade, a cor da pele, a condição social, a religião. Não sou do tipo ativista pelo direito das minorias e não vou dizer que sim para ser politicamente correta. Mas sou ativista pelo direito de ser e deixar ser, pelo respeito e pelo amor nas nossas relações com o outro.
Enquanto leitora, deixo que a história fale por si, me alargue a visão e até me dê inspiração(estou pensando em me dedicar à minha distopia agora). E fico à espera do segundo volume da história de Hunter. Porque para nossa sorte, esse mundo fantástico ainda será muito explorado e mais surpresas virão.
Cochicho: Hunter não é o que você pensa. 

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Soraya Freire é escritora, gestora ambiental e estudante de Letras-Inglês. E anda aprendendo um bocado com a vida e, claro, com a literatura.

Thursday, August 3, 2017

Transtorno de ansiedade não é frescura

Às vezes falamos coisas que machucam as pessoas sem perceber. Às vezes tbm julgamos o mundo de acordo com nossa verdade e não somos ruins por isso. Cada cabeça é um mundo. 
Mas também quem sente a dor é que geme. Ansiedade é uma coisa que todo mundo sente. É coisa do ser humano. Porém, algumas pessoas a tem em um nível mais profundo, que se torna patológico.
Ninguém chega para alguém com um tumor na cabeça e diz que é frescura, algo que ela inventou, "coisa da cabeça dela". Porque a ansiedade não aparece em uma tomografia não quer dizer que não é real, que é frescura. 
Algumas pessoas passam por problemas na vida e saem deles sem transtornos, outras não. Não sabemos que tipo de abusos, bullying, tristezas causaram traumas nas pessoas e porque elas têm depressão e/ou ansiedade. Por isso é bom cuidar das palavras que podem machucá-las. Nem um lado nem outro tem culpa, mas ambos  são responsáveis por um mundo com menos preconceito e mais informado sobre transtornos mentais -- como isso é um assunto delicado. Principalmente para quem convive com o problema.
 
Soraya Freire é escritora, gestora ambiental e luta contra o preconceito em relação aos transtornos mentais.

Friday, July 21, 2017

Aceita que dói menos (?)




Eu estive pensando sobre uma coisa: a dificuldade que temos de aceitar. Até criaram, nas redes sociais, a frase “aceita que dói menos”. Sem entrar no mérito de que essa frase é como uma apunhalada em algumas situações, em outras deveríamos compreendê-la.
Frente a situações adversas da vida, ficamos naquele impasse de “não aceito, não aceito”. Lembro de uma história que minha colega contou certa vez. Em um momento de alegria, algo foi roubado dela e ela disse a Deus que não aceitava aquela situação. Não estou aqui para fazer discurso sobre rebeldia contra Deus(não digo que o comportamento dela foi esse) nem para dizer para aceitar tudo da maneira que nos vem. Apenas estava refletindo sobre determinado fato que não acontece na minha vida e parece que nunca vai acontecer.
Antes eu dizia “não aceito!” tanto para mim quanto para Deus. Mas de uns tempos para cá eu tenho trabalhado como aceitar. Não vai acontecer. Aceita que dói menos. No começo, dói muito, muito mesmo. Mas, com o passar dos dias, vai doendo menos. O processo de aceitação é como tomar um remédio amargo, mas você acredita que pode trazer a cura.
Não sei como nem se a cura vai chegar. No caso da minha colega, de certa forma houve um final feliz. A situação dela foi resolvida; um ano depois, mas ela acabou reavendo o que perdera. Foi algo material e podem me dizer que é mais fácil. Porém quando é algo mais profundo, que nos afeta no âmago, nos sonhos, nos planos de vida?
Dizer que acreditar faz acontecer é fácil. Eu acredito que sonhos impossíveis podem se realizar. Mas eu também me pego em dúvidas. E se o futuro é algo que não podemos ver nem saber, eu dou a ele o benefício da dúvida. Se acontecer, será uma agradável surpresa. Se não, pelo menos não criei expectativas. E você pode dizer que sou pessimista. Eu aceito. Mas tem sido bem melhor para minha mente, alma e coração viver assim.  

Soraya Freire é escritora, gestora ambiental e está aprendendo a aceitar algumas coisas que ela não pode mudar.

Friday, June 30, 2017

Meu livro Laços

Eu tenho uma novidade para contar. Eu vou lançar meu novo livro, "Laços". 🎇🎆🎉
Ele está em pré-venda, no site da editora, por 14,99, mais o frete. Clique aqui para ver.
Eu escrevi essa história no final de 2014 e foi muito especial para mim. Depois de resisti a escrever uma história que se passa na minha cidade, finalmente consegui! E falando de um tema, que para mim, na época, era muito especial.
Leia o resumo abaixo:



Laços é um romance juvenil que conta a história de Carly e André. O irmão dele, Tiago, se casa com a irmã dela, Lucy. No começo, André e Carly não se dão bem, mas a saudade dos irmãos os aproxima e eles descobrem que têm mais coisas em comum do que imaginavam. Porém, a recente amizade dos dois é abalada quando o pai de André morre e ele precisa casar para receber a herança. Ele aceita um casamento, arranjado pela mãe, com sua antiga amiga, Clarice. Carly se aborrece com André por tratar com trivialidade algo que ela considera muito importante. André, por seu lado, divide-se entre a obrigação, a dificuldade de perdoar o passado e sua resolução de não mais acreditar no amor.
Com o desenrolar da história, acompanhamos a dificuldade de Carly em lidar com o passado e a morte de seus pais; André também tem que lidar com a presença da segunda esposa do seu pai, na empresa, além de sua relação complicada com a mãe. A noiva de André parece ter uma história que ela precisa, mas não consegue, compartilhar com André e que pode influenciar muito no futuro casamento. Enquanto isso, Carly e André tentam ajudar os irmãos a se adaptarem a nova realidade de casados e lidar com as dificuldades que surgem a cada curva do caminho.
Se interessou? Clique no link acima para adquirir!
Beijos 💙

Friday, February 17, 2017

Voltar ao primeiro amor


Fique calmo e escreva alguma coisa
Quando ela descobriu a escrita e se apaixonou, tudo mudou. Foi algo mágico, que mexeu com seus sentidos, sentimentos e ela queria passar todo o tempo possível com um caderno, lápis e caneta. E tudo foi evoluindo rápido. Enquanto descobria como aquela nova paixão era revigorante, como a escrita a entendia e a envolvia.
Nos momentos difíceis e obscuros as palavras estavam lá para fazer-lhe companhia. Quando ninguém parecia entender-lhe, os personagens vinham para preencher a necessidade de amigos. Cada história ajudava-lhe a se conhecer e entender um pouco mais. 
Então o tempo passou e ele sempre passa e muda novamente as coisas. E como a rotina pareceu nublar tudo. Algumas pessoas se intrometeram e a afastou do seu grande amor. Algumas decepções que experimentou, no meio do caminho, fez com que achasse que tudo estava errado, ela e seu amor. 
Caiu na modorrenta rotina do status de escritora como aquelas mulheres que se contentam com apenas ter uma certidão de casamento e se dizerem esposas; não se esforçam para manter vivo o romance, a paixão do primeiro amor. Qualquer coisa basta para dizer que estão fazendo algo.
O desânimo, a tristeza, a depressão a engolfa e ela sente que já não há nada que possa fazer para tornar essas histórias boas, apaixonantes.Porém, ainda há uma vontade, uma necessidade de começar de novo, de produzir algo, de fazer seu melhor por esse casamento, por essa união que já foi tão linda. Ela sabe que a água morna não serve para nada, que não pode se deixar abater nem desmoronar. Precisa lembrar porquê escolheu essa profissão, porque se apaixonou e voltar ao primeiro amor.

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