Thursday, August 3, 2017

Transtorno de ansiedade não é frescura

Às vezes falamos coisas que machucam as pessoas sem perceber. Às vezes tbm julgamos o mundo de acordo com nossa verdade e não somos ruins por isso. Cada cabeça é um mundo. 
Mas também quem sente a dor é que geme. Ansiedade é uma coisa que todo mundo sente. É coisa do ser humano. Porém, algumas pessoas a tem em um nível mais profundo, que se torna patológico.
Ninguém chega para alguém com um tumor na cabeça e diz que é frescura, algo que ela inventou, "coisa da cabeça dela". Porque a ansiedade não aparece em uma tomografia não quer dizer que não é real, que é frescura. 
Algumas pessoas passam por problemas na vida e saem deles sem transtornos, outras não. Não sabemos que tipo de abusos, bullying, tristezas causaram traumas nas pessoas e porque elas têm depressão e/ou ansiedade. Por isso é bom cuidar das palavras que podem machucá-las. Nem um lado nem outro tem culpa, mas ambos  são responsáveis por um mundo com menos preconceito e mais informado sobre transtornos mentais -- como isso é um assunto delicado. Principalmente para quem convive com o problema.
 
Soraya Freire é escritora, gestora ambiental e luta contra o preconceito em relação aos transtornos mentais.

Friday, July 21, 2017

Aceita que dói menos (?)




Eu estive pensando sobre uma coisa: a dificuldade que temos de aceitar. Até criaram, nas redes sociais, a frase “aceita que dói menos”. Sem entrar no mérito de que essa frase é como uma apunhalada em algumas situações, em outras deveríamos compreendê-la.
Frente a situações adversas da vida, ficamos naquele impasse de “não aceito, não aceito”. Lembro de uma história que minha colega contou certa vez. Em um momento de alegria, algo foi roubado dela e ela disse a Deus que não aceitava aquela situação. Não estou aqui para fazer discurso sobre rebeldia contra Deus(não digo que o comportamento dela foi esse) nem para dizer para aceitar tudo da maneira que nos vem. Apenas estava refletindo sobre determinado fato que não acontece na minha vida e parece que nunca vai acontecer.
Antes eu dizia “não aceito!” tanto para mim quanto para Deus. Mas de uns tempos para cá eu tenho trabalhado como aceitar. Não vai acontecer. Aceita que dói menos. No começo, dói muito, muito mesmo. Mas, com o passar dos dias, vai doendo menos. O processo de aceitação é como tomar um remédio amargo, mas você acredita que pode trazer a cura.
Não sei como nem se a cura vai chegar. No caso da minha colega, de certa forma houve um final feliz. A situação dela foi resolvida; um ano depois, mas ela acabou reavendo o que perdera. Foi algo material e podem me dizer que é mais fácil. Porém quando é algo mais profundo, que nos afeta no âmago, nos sonhos, nos planos de vida?
Dizer que acreditar faz acontecer é fácil. Eu acredito que sonhos impossíveis podem se realizar. Mas eu também me pego em dúvidas. E se o futuro é algo que não podemos ver nem saber, eu dou a ele o benefício da dúvida. Se acontecer, será uma agradável surpresa. Se não, pelo menos não criei expectativas. E você pode dizer que sou pessimista. Eu aceito. Mas tem sido bem melhor para minha mente, alma e coração viver assim.  

Soraya Freire é escritora, gestora ambiental e está aprendendo a aceitar algumas coisas que ela não pode mudar.

Friday, June 30, 2017

Meu livro Laços

Eu tenho uma novidade para contar. Eu vou lançar meu novo livro, "Laços". 🎇🎆🎉
Ele está em pré-venda, no site da editora, por 14,99, mais o frete. Clique aqui para ver.
Eu escrevi essa história no final de 2014 e foi muito especial para mim. Depois de resisti a escrever uma história que se passa na minha cidade, finalmente consegui! E falando de um tema, que para mim, na época, era muito especial.
Leia o resumo abaixo:



Laços é um romance juvenil que conta a história de Carly e André. O irmão dele, Tiago, se casa com a irmã dela, Lucy. No começo, André e Carly não se dão bem, mas a saudade dos irmãos os aproxima e eles descobrem que têm mais coisas em comum do que imaginavam. Porém, a recente amizade dos dois é abalada quando o pai de André morre e ele precisa casar para receber a herança. Ele aceita um casamento, arranjado pela mãe, com sua antiga amiga, Clarice. Carly se aborrece com André por tratar com trivialidade algo que ela considera muito importante. André, por seu lado, divide-se entre a obrigação, a dificuldade de perdoar o passado e sua resolução de não mais acreditar no amor.
Com o desenrolar da história, acompanhamos a dificuldade de Carly em lidar com o passado e a morte de seus pais; André também tem que lidar com a presença da segunda esposa do seu pai, na empresa, além de sua relação complicada com a mãe. A noiva de André parece ter uma história que ela precisa, mas não consegue, compartilhar com André e que pode influenciar muito no futuro casamento. Enquanto isso, Carly e André tentam ajudar os irmãos a se adaptarem a nova realidade de casados e lidar com as dificuldades que surgem a cada curva do caminho.
Se interessou? Clique no link acima para adquirir!
Beijos 💙

Friday, February 17, 2017

Voltar ao primeiro amor


Fique calmo e escreva alguma coisa
Quando ela descobriu a escrita e se apaixonou, tudo mudou. Foi algo mágico, que mexeu com seus sentidos, sentimentos e ela queria passar todo o tempo possível com um caderno, lápis e caneta. E tudo foi evoluindo rápido. Enquanto descobria como aquela nova paixão era revigorante, como a escrita a entendia e a envolvia.
Nos momentos difíceis e obscuros as palavras estavam lá para fazer-lhe companhia. Quando ninguém parecia entender-lhe, os personagens vinham para preencher a necessidade de amigos. Cada história ajudava-lhe a se conhecer e entender um pouco mais. 
Então o tempo passou e ele sempre passa e muda novamente as coisas. E como a rotina pareceu nublar tudo. Algumas pessoas se intrometeram e a afastou do seu grande amor. Algumas decepções que experimentou, no meio do caminho, fez com que achasse que tudo estava errado, ela e seu amor. 
Caiu na modorrenta rotina do status de escritora como aquelas mulheres que se contentam com apenas ter uma certidão de casamento e se dizerem esposas; não se esforçam para manter vivo o romance, a paixão do primeiro amor. Qualquer coisa basta para dizer que estão fazendo algo.
O desânimo, a tristeza, a depressão a engolfa e ela sente que já não há nada que possa fazer para tornar essas histórias boas, apaixonantes.Porém, ainda há uma vontade, uma necessidade de começar de novo, de produzir algo, de fazer seu melhor por esse casamento, por essa união que já foi tão linda. Ela sabe que a água morna não serve para nada, que não pode se deixar abater nem desmoronar. Precisa lembrar porquê escolheu essa profissão, porque se apaixonou e voltar ao primeiro amor.

Saturday, December 31, 2016

Pote dos Sorrisos e 2017

No fim do ano passado, uma das minhas Youtubers favoritas, Fabíola Melo, fez um vídeo sobre o pote dos sorrisos dela. Pote dos sorrisos é um recipiente onde você deposita papeizinhos, nos quais escreve coisas que te deixaram feliz durante o ano. No dia 31 de Dezembro, você abre para ler e lembrar das coisas boas. Isso é bom, para mim, porque tenho da tendência de achar que o ano foi horrível. Usei meu copo do Olaf que ganhei de presente de aniversário, ano passado. 
 O meu pote teve 35 papeizinhos. Separei nove para comentar aqui. E o dez será um apanhado.
 Uma amiga de uma amiga disse isso. Agora levo para vida; me ajuda quando começo a pensar que não vou conseguir ou quando alguém diz que não dá para viver de escrever no Brasil.
Minha amiga Thaís Hanatrícia é uma super artista e esse ano eu comprei várias coisas com os desenhos dela. As ilustrações dessa garota, com certeza, deixa o ano mais feliz!
Eu estou desde 2015 tentando publicar meu livro Laços. Teremos novidades em 2017 ;)
Não lembro o que aconteceu nesse dia, mas ainda amo iCarly e ligar a TV e ver passando é motivo para risos. 
Amo dar presentes a quem eu gosto. Enviei uma toalha e um boneco do Chaves para meu amigo Filipe, que agradeceu, emocionado. A mensagem do Whatsapp é só minha, mas veja o que ele disse no blog dele aqui. Esse texto é motivo para um grande sorriso.
 Eu já tinha a Barbie noiva e consegui comprar o Ken. Era um sonho de infância. #NãoMeJulguem #MuitosJulgaram

 Eu queria muito a Revista desde que lançou e amei demais a história, além do pôster lindo que veio dentro.
Cursed Child foi uma das coisas que fez 2016 valer a pena. Eu comprei muitas coisas de Harry Potter esse ano. Finalmente tenho as varinhas de Harry, Ron e Mione, além dos livros com as capas branca e azul. Thiego Novais, com certeza, deu muitos sorrisos com o tanto que gastei  na Reduto do Nerd.
 Pela primeira vez, saí do estado e foi muito, muito legal! Comprei corujas, duas blusas de HP, na Riachuelo(nunca tinha entrado em uma), vi praias lindas e me choquei com a quantidade de casais que andam de mãos dadas pelas ruas da capital alagoana.

Amo acarajé e Naiana é uma das minhas amigas mais queridas(ela se formou esse ano, em Letras e ir na colação foi um do "sorrisos" que coloquei no pote. Fiquei muito feliz por ela e minha outra amiga, Mileide!)
Isso não é mais importante e Thai, provavelmente, vai me passar um sabão por ter colocado isso aqui :P Mas foi um dos acontecimentos de 2016 que me fez elaborar uma resolução de Ano Novo: Deixar de ser otária.
Fazendo um apanhado, escrevi sobre momentos em que comprei livros(minha maior felicidade), li, presentei quem eu amo e ganhei coisas que amo, como minha caneca mágica de Harry Potter, que minha colega linda, Janna, me deu. Claro que não coloquei no pote tudo de bom que aconteceu, mas foi uma ótima brincadeira.
2016 foi um ano de grandes acontecimentos, a maioria terríveis. Porém, para mim, foi melhor que 2015 ou 2013, em vários aspectos. Houve dementadores? Sim, muitos. Mas eu sorri e me apaixonei pelo meu patrono(no teste do Pottermore), uma águia marinha. Mais uma coisa boa!
Desejo a todos tudo de bom em 2017 e que eu consiga escrever mais aqui. 
Faça um pote dos sorrisos também. É muito legal! 
Beijos :)

Soraya Freire é escritora, gestora ambiental e sonha com "o dia em que seremos melhores no amor, melhores na dor, melhores em tudo". E espera "um novo começo de era, de gente fina, elegante e sincera".


Saturday, October 1, 2016

Resenha(ou nem tanto) - Sacanas do Asfalto, de Robson Gundim




É sempre complicado falar sobre a escrita de algum amigo, pois é muito fácil recorrer à subjetividade. Ok, para mim, leitura, de qualquer modo, é muito subjetiva.
Sacanas do Asfalto é o quarto livro solo lançado pelo escritor Robson Gundim. Começa com três jovens que viajam para encontrar alguns amigos e curtir as férias. Os três são estudantes de Cinema, mas nunca imaginaram que estariam prestes a se envolver em uma trama digna das telonas. Rob, Arthur, Teh e seus amigos são confrontados por uma gangue, que decide matá-los, sem motivo. Depois de ficarem devendo favor a um traficante de drogas, parte deles é mantida em cárcere privado enquanto outros devem arriscar a vida e buscar uma grande quantidade de drogas.
O texto segue um ritmo ágil, cheio da linguagem apurada de Rob, já conhecida dos seus leitores. O que surpreende é a linguagem mais moderna dos personagens, condizente com o tempo em que a história ocorre, nos dias atuais. Mas com as antigas histórias de piratas, estávamos acostumados com uma linguagem mais formal. E é aí que reconhecemos a qualidade do autor: sua capacidade camaleônica de se ajustar a cada novo cenário, tempo e personagens que escolhe.
Muitas vezes, realidade e ficção se misturam. Alguns nomes de personagens são emprestados de amigos de Rob, além do principal, que é inspirado no autor e carrega seu próprio apelido. Os fiéis escudeiros dele são Arthur e Teh, inspirados nos reais Arthur e Stefani que comandam com ele o Canal Nerd Killers, no Youtube. Criar personagens inspirados em amigos e na sua vida, transformando-a em algo épico é a arte que todo escritor domina(ou deveria). É o que o torna mais interessante, sair do lugar comum para o extraordinário, sem tirar os pés da terra.
Depois de “rasgar seda”, vamos ao que realmente importa. O que eu pensei do livro, o que vi nas entrelinhas e se gostei.
A história é inspirada nas obras de Quentin Tarantino e eu não posso atirar pedra, pois eu amo JK Rowling e tudo meu tem um pouco de referência a ela. Porém, em muitas passagens, é possível sentir algo dos filmes nacionais e personagens que encontraria neles. Gundim segue sua narrativa de maneira eletrizante e seria interessante vê-la como um roteiro.
Os personagens são figuras típicas do realismo brasileiro moderno: jovens bonitos, políticos corruptos e traficantes. E aqui vemos uma pequena crítica social, a facilidade com que o crime e o tráfico assolam o Brasil, devido à corrupção, impunidade e a falta de fiscalização policial.
O que me incomodou um pouco foram as personagens femininas, carregadas de sex appeal, demonstrando sua força pela violência, enquanto outras são totalmente vulneráveis. Porém, quem sou eu para falar de estereótipo quando caio facilmente no clichê romântico.
Sacanas do Asfalto recordou-me de livros que lia na escola, como O imperador da Ursa Maior e A infância acabou. Aquele momento em que eu era arrancada da minha zona de conforto, embala pelos romances e fantasias, e era confrontada com a dura realidade que existe no mundo; como a juventude do Brasil é espreitada pelo lobo mau da corrupção, drogas, prostituição e violência.
As ilustrações, feitas pelo próprio autor, são um recurso à parte, que torna o trabalho de Robson ainda mais admirável e o único defeito é não ter mais delas. Ele segue um estilo realista, equivalente às histórias em quadrinhos americanas e homenageia os amigos de forma cândida.
Para quem não gosta de um estilo mais realista não se sentirá agraciado(a) pela leitura de Sacanas do Asfalto, mas digo que cada leitura nos traz mais conhecimento de mundo, de vocabulário e mais argumentos para discussão. Os livros de Robson têm essa qualidade.

Soraya Freire é escritora, gestora ambiental e fã da escrita de Robson Gundim.

Saturday, August 20, 2016

Como se estivesse jogando sal em seus cortes


Ela tinha tomado uma resolução. Estava resignada. Pararia de acreditar em romance, casamento e todas essas coisas.
Confiar nas pessoas já não cabia mais. Elas apenas decepcionavam, puxavam, puxavam o tapete, traíram.
E ela mantinha essa aparente confiança. Estava tudo bem ficar solteira a vida toda, ter uma casinha branca de varanda, com um quintal e uma janela para ver o sol nascer. Um lugar calmo para sentar, ler, ouvir música e escrever, com vários bichinhos de estimação. Nada alegraria mais seu coração. Porque ninguém precisa de namorado para ser feliz. Nem casar.
Mas, a cada vez que alguém comentava sobre algum noivado, casamento, era como se estivesse jogando sal em seus cortes. Eles estavam abertos e sangrando. Dores de ver famílias partidas e casamentos infelizes. A dor de saber que não poderia envolver alguém no turbilhão de emoções negativas que carregava desde a infência, nem ser responsável pela infelicidade dos outros.
Então, passava por mais essa, assoprando os cortes, dizendo a si mesma que ficaria tudo bem. Escondia seu coração e fingia mais uma vez que era uma pedra de gelo. 
Porque o gelo anestesia a dor.

Páginas