Saturday, December 31, 2016

Pote dos Sorrisos e 2017

No fim do ano passado, uma das minhas Youtubers favoritas, Fabíola Melo, fez um vídeo sobre o pote dos sorrisos dela. Pote dos sorrisos é um recipiente onde você deposita papeizinhos, nos quais escreve coisas que te deixaram feliz durante o ano. No dia 31 de Dezembro, você abre para ler e lembrar das coisas boas. Isso é bom, para mim, porque tenho da tendência de achar que o ano foi horrível. Usei meu copo do Olaf que ganhei de presente de aniversário, ano passado. 
 O meu pote teve 35 papeizinhos. Separei nove para comentar aqui. E o dez será um apanhado.
 Uma amiga de uma amiga disse isso. Agora levo para vida; me ajuda quando começo a pensar que não vou conseguir ou quando alguém diz que não dá para viver de escrever no Brasil.
Minha amiga Thaís Hanatrícia é uma super artista e esse ano eu comprei várias coisas com os desenhos dela. As ilustrações dessa garota, com certeza, deixa o ano mais feliz!
Eu estou desde 2015 tentando publicar meu livro Laços. Teremos novidades em 2017 ;)
Não lembro o que aconteceu nesse dia, mas ainda amo iCarly e ligar a TV e ver passando é motivo para risos. 
Amo dar presentes a quem eu gosto. Enviei uma toalha e um boneco do Chaves para meu amigo Filipe, que agradeceu, emocionado. A mensagem do Whatsapp é só minha, mas veja o que ele disse no blog dele aqui. Esse texto é motivo para um grande sorriso.
 Eu já tinha a Barbie noiva e consegui comprar o Ken. Era um sonho de infância. #NãoMeJulguem #MuitosJulgaram

 Eu queria muito a Revista desde que lançou e amei demais a história, além do pôster lindo que veio dentro.
Cursed Child foi uma das coisas que fez 2016 valer a pena. Eu comprei muitas coisas de Harry Potter esse ano. Finalmente tenho as varinhas de Harry, Ron e Mione, além dos livros com as capas branca e azul. Thiego Novais, com certeza, deu muitos sorrisos com o tanto que gastei  na Reduto do Nerd.
 Pela primeira vez, saí do estado e foi muito, muito legal! Comprei corujas, duas blusas de HP, na Riachuelo(nunca tinha entrado em uma), vi praias lindas e me choquei com a quantidade de casais que andam de mãos dadas pelas ruas da capital alagoana.

Amo acarajé e Naiana é uma das minhas amigas mais queridas(ela se formou esse ano, em Letras e ir na colação foi um do "sorrisos" que coloquei no pote. Fiquei muito feliz por ela e minha outra amiga, Mileide!)
Isso não é mais importante e Thai, provavelmente, vai me passar um sabão por ter colocado isso aqui :P Mas foi um dos acontecimentos de 2016 que me fez elaborar uma resolução de Ano Novo: Deixar de ser otária.
Fazendo um apanhado, escrevi sobre momentos em que comprei livros(minha maior felicidade), li, presentei quem eu amo e ganhei coisas que amo, como minha caneca mágica de Harry Potter, que minha colega linda, Janna, me deu. Claro que não coloquei no pote tudo de bom que aconteceu, mas foi uma ótima brincadeira.
2016 foi um ano de grandes acontecimentos, a maioria terríveis. Porém, para mim, foi melhor que 2015 ou 2013, em vários aspectos. Houve dementadores? Sim, muitos. Mas eu sorri e me apaixonei pelo meu patrono(no teste do Pottermore), uma águia marinha. Mais uma coisa boa!
Desejo a todos tudo de bom em 2017 e que eu consiga escrever mais aqui. 
Faça um pote dos sorrisos também. É muito legal! 
Beijos :)

Soraya Freire é escritora, gestora ambiental e sonha com "o dia em que seremos melhores no amor, melhores na dor, melhores em tudo". E espera "um novo começo de era, de gente fina, elegante e sincera".


Saturday, October 1, 2016

Resenha(ou nem tanto) - Sacanas do Asfalto, de Robson Gundim




É sempre complicado falar sobre a escrita de algum amigo, pois é muito fácil recorrer à subjetividade. Ok, para mim, leitura, de qualquer modo, é muito subjetiva.
Sacanas do Asfalto é o quarto livro solo lançado pelo escritor Robson Gundim. Começa com três jovens que viajam para encontrar alguns amigos e curtir as férias. Os três são estudantes de Cinema, mas nunca imaginaram que estariam prestes a se envolver em uma trama digna das telonas. Rob, Arthur, Teh e seus amigos são confrontados por uma gangue, que decide matá-los, sem motivo. Depois de ficarem devendo favor a um traficante de drogas, parte deles é mantida em cárcere privado enquanto outros devem arriscar a vida e buscar uma grande quantidade de drogas.
O texto segue um ritmo ágil, cheio da linguagem apurada de Rob, já conhecida dos seus leitores. O que surpreende é a linguagem mais moderna dos personagens, condizente com o tempo em que a história ocorre, nos dias atuais. Mas com as antigas histórias de piratas, estávamos acostumados com uma linguagem mais formal. E é aí que reconhecemos a qualidade do autor: sua capacidade camaleônica de se ajustar a cada novo cenário, tempo e personagens que escolhe.
Muitas vezes, realidade e ficção se misturam. Alguns nomes de personagens são emprestados de amigos de Rob, além do principal, que é inspirado no autor e carrega seu próprio apelido. Os fiéis escudeiros dele são Arthur e Teh, inspirados nos reais Arthur e Stefani que comandam com ele o Canal Nerd Killers, no Youtube. Criar personagens inspirados em amigos e na sua vida, transformando-a em algo épico é a arte que todo escritor domina(ou deveria). É o que o torna mais interessante, sair do lugar comum para o extraordinário, sem tirar os pés da terra.
Depois de “rasgar seda”, vamos ao que realmente importa. O que eu pensei do livro, o que vi nas entrelinhas e se gostei.
A história é inspirada nas obras de Quentin Tarantino e eu não posso atirar pedra, pois eu amo JK Rowling e tudo meu tem um pouco de referência a ela. Porém, em muitas passagens, é possível sentir algo dos filmes nacionais e personagens que encontraria neles. Gundim segue sua narrativa de maneira eletrizante e seria interessante vê-la como um roteiro.
Os personagens são figuras típicas do realismo brasileiro moderno: jovens bonitos, políticos corruptos e traficantes. E aqui vemos uma pequena crítica social, a facilidade com que o crime e o tráfico assolam o Brasil, devido à corrupção, impunidade e a falta de fiscalização policial.
O que me incomodou um pouco foram as personagens femininas, carregadas de sex appeal, demonstrando sua força pela violência, enquanto outras são totalmente vulneráveis. Porém, quem sou eu para falar de estereótipo quando caio facilmente no clichê romântico.
Sacanas do Asfalto recordou-me de livros que lia na escola, como O imperador da Ursa Maior e A infância acabou. Aquele momento em que eu era arrancada da minha zona de conforto, embala pelos romances e fantasias, e era confrontada com a dura realidade que existe no mundo; como a juventude do Brasil é espreitada pelo lobo mau da corrupção, drogas, prostituição e violência.
As ilustrações, feitas pelo próprio autor, são um recurso à parte, que torna o trabalho de Robson ainda mais admirável e o único defeito é não ter mais delas. Ele segue um estilo realista, equivalente às histórias em quadrinhos americanas e homenageia os amigos de forma cândida.
Para quem não gosta de um estilo mais realista não se sentirá agraciado(a) pela leitura de Sacanas do Asfalto, mas digo que cada leitura nos traz mais conhecimento de mundo, de vocabulário e mais argumentos para discussão. Os livros de Robson têm essa qualidade.

Soraya Freire é escritora, gestora ambiental e fã da escrita de Robson Gundim.

Saturday, August 20, 2016

Como se estivesse jogando sal em seus cortes


Ela tinha tomado uma resolução. Estava resignada. Pararia de acreditar em romance, casamento e todas essas coisas.
Confiar nas pessoas já não cabia mais. Elas apenas decepcionavam, puxavam, puxavam o tapete, traíram.
E ela mantinha essa aparente confiança. Estava tudo bem ficar solteira a vida toda, ter uma casinha branca de varanda, com um quintal e uma janela para ver o sol nascer. Um lugar calmo para sentar, ler, ouvir música e escrever, com vários bichinhos de estimação. Nada alegraria mais seu coração. Porque ninguém precisa de namorado para ser feliz. Nem casar.
Mas, a cada vez que alguém comentava sobre algum noivado, casamento, era como se estivesse jogando sal em seus cortes. Eles estavam abertos e sangrando. Dores de ver famílias partidas e casamentos infelizes. A dor de saber que não poderia envolver alguém no turbilhão de emoções negativas que carregava desde a infência, nem ser responsável pela infelicidade dos outros.
Então, passava por mais essa, assoprando os cortes, dizendo a si mesma que ficaria tudo bem. Escondia seu coração e fingia mais uma vez que era uma pedra de gelo. 
Porque o gelo anestesia a dor.

Wednesday, August 17, 2016

Resenha: Harry Potter and the Cursed Child


Isso não é realmente uma resenha. Acho meio pretensioso. Vou apenas fazer alguns comentários sobre Harry Potter and the Cursed Child(Harry Potter e a Criança Amaldiçoada). Essa é uma visão subjetiva, então vocês podem ter suas próprias impressões e ninguém está certo ou errado, ok? Here we go!
Para quem caiu na Terra de paraquedas ou esteve dormindo nos últimos 19 anos e não conhece Harry Potter, procura aí a Wikipédia, para esse texto não ficar muito grande, certo? ;)
 Harry Potter and the Cursed Child é o oitavo título da série "Harry Potter" e acontece dezenove anos depois do epílogo do sétimo livro, "Relíquias da Morte". A história agora é focada no filho do meio de Harry, Albus Severus Potter(Alvo Severo Potter) e foi primeiramente escrita como peça de teatro; depois transformada em livro.
É aqui que cabe meu primeiro comentário. Para quem não gosta de(ou não está acostumado a) ler roteiros, não desanime. Esse formato torna a leitura fácil, ágil e dinâmica. Não vá ler esperando riqueza de detalhes de cenário, personagens, etc, marca da nossa querida Jo. Há carência de rubricas e muitas vezes não há uma transição clara nem o anúncio de entrada de um personagem. Contudo, temos que considerar que essa é uma versão de ensaio. A próxima edição incluirá anotações e outras explicações. Vamos esperar.
Sentimos falta de alguns personagens? Sim! De vários! Como Teddy Lupin, os Weasley... Ai, Deus, são tantos. Mas é uma peça, com um tempo curto para ser desenvolvida.
Quem espera/esperava que Alvo, Escórpio e Rosa formassem o novo Trio de Ouro, não espere ver muito a Rosa. Mas ela está lá, como um vislumbre da Mione em "A Pedra Filosofal".
A história emociona? Sim. Há momentos realmente tocantes e posso apenas imaginar como se sentiram as pessoas que assistiram à peça, com todo o envolvimento emocional da música, efeitos, luzes, ação... Só imaginar mesmo :(
Houve comentários de que a história parece uma fanfic, é verdade? Sob o efeito de Veritasserum, eu diria "sim, parece". Há alguns detalhes e fatos que, para mim, parecem estranhos, surreais(mesmo para HP), que não se encaixam nas histórias prévias. Porém, temos que lembrar que o enredo foi lido, alterado e aprovado pela J.K. Ela parece muito ciumenta com o universo que criou e nunca aprovaria algo que não achasse certo ou conveniente. E não entendo o que as pessoas têm contra fanfics.
Eu desfrutei da leitura. Não sou fluente em inglês, mas não tive maiores dificuldades e foi bom aprender palavras novas. Foi ótimo ver Harry, Rony e Hermione mais uma vez, ter um novo livro de Harry Potter e uma continuação da série! Algumas partes me fizeram sorrir e outras me tocaram. Não cheguei a chorar, mas lerei de novo e de novo, como os outros sete.
Independente de qualquer coisa, a essência da série "Harry Potter" continua em Cursed Child. A valorização da amizade, da família, como lidar com a luz e a escuridão que possuímos dentro de nós, a difícil tarefa de crescer e como os pais têm impacto direto sobre seus filhos e como crescemos com a jornada.
E, claro, frases. Frases de efeito que são verdadeiras lições de vida, como essa do Escórpio:
"Pena é o começo(...) de uma base, sobre a qual construímos um palácio - o palácio do amor."
Brincadeira. A minha preferida é do Dumbledore:
"Sofrer é tão humano quanto respirar."

Soraya Freire é escritora, gestora ambiental e Potterhead há mais de dez anos.

Friday, May 27, 2016

Isso tem mais a ver comigo ou com ela?


Se o fato é que eu sou muito do seu desagrado
Eu não quero ser chato
Mas vou ser honesto
Eu não sei o que você tem contra mim

Você pode tentar por horas me deixar culpado
Mas vai dar errado
Já que foi o resto da vida inteira que me fez assim

(Clarice Falcão - Capitão Gancho)

Verdade seja dita: quem gosta de ser preterido(a)? É aquele momento em que você pensa não ser bom/boa o suficiente, há algo errado com você, etc. (Pensamentos negativos são como fungos em lugar quente e úmido. #UmHorror)
Mas(e há sempre um mas), agora que eu consigo ver cada situação depois do primeiro impacto, por outro ângulo, vamos pensar.
Cada um tem critérios de escolhas; a verdade é essa. Eu ou você vamos escolher alguém baseado em nossa criação, valores, padrões, etc. Isso também funciona para pais que escolhem(ou tentam) alguém para seus filhos.
Aconteceu três vezes, mas, da última, ao ser assaltada pelos pensamentos do primeiro parágrafo, eu parei e refleti. Isso tem mais a ver comigo ou com ela? Com certeza, a mãe teve seus critérios de escolhas para seu filho. E a maneira como eu reagi, das outras e dessa vez, fala mais sobre mim.
Então, se você pensa que é "um pequeno pedaço de lixo, a escória da Terra, talvez"* por ter sido preterido(a), isso fala mais sobre você. Hora de rever autoestima, senso de valor próprio... E vai perceber: o fato de não ser escolhido não é culpa sua. Não mesmo. E, de alguma forma, não da pessoa que te preteriu.

(*) Frase de Fabíola Melo, no vídeo "Como me livrei da baixa autoestima", que aliás eu recomendo.

Soraya Freire é escritora, gestora ambiental e consegue avaliar melhor ao ser preterida.

Thursday, May 19, 2016

Não romantizem a violência sexual!

Certo dia eu estava em um grupo do Facebook e tinha uma menina desabafando sobre uma fanfic. Para quem não sabe, fanfic é uma história criada por fãs, com os personagens de suas séries, livros, etc. preferidos. Ela falava que uma dessas histórias retratava uma violência sexual e colocava a culpa na vítima, por ela estar bêbada. Fiquei pensando sobre isso, principalmente porque estava assistindo à novela Fatmagul e por causa de uma história que estava escrevendo.
Tive certeza que deveria escrever esse texto, depois de assistir a um vídeo da Danny Boggione, do Canal Sobrevivendo na Turquia. Ela falou sobre a falta de interpretação das pessoas em relação às novelas turcas.
Eu, sinceramente, não sabia que existiam novelas turcas, nem que elas faziam tanto sucesso na América Latina. Minha irmã me falou sobre "Mil e uma noites" e eu perguntei sobre o enredo, se a protagonista usava véu. Essas coisas que sabemos superficialmente sobre "os países do lado de lá". Verdade que estudei sobre a Turquia na sétima série, eu acho, mas não lembro de nada.
Passou. Até que um dia a TV estava na Band e eu vi um trecho de Fatmagul. Aquele drama todo me chamou a atenção. No dia seguinte eu pesquisei sobre e comecei a assistir. Vi todos os capítulos já lançados em português e concluí assistindo aos episódios em espanhol.
Esse é um resumo da minha história com as novelas turcas, mas não é sobre isso que quero falar. Mas sobre o quanto elas romantizam a violência contra a mulher e os espectadores não percebem.
Fatmagul(cujo título é o nome da protagonista) conta a história de uma moça que é estuprada por três rapazes(Selim, Edorgan e Vural) e um que não participa do ato, mas não impede os outros(Kerim). Depois de ser ameaçada pelo advogado dos três primeiros, que são muito ricos, e sofrer pressão psicológica também da cunhada, Fatmagul se casa com Kerim para "salvar sua honra".
Para quem está achando loucura, na Turquia é assim. Existem os chamados crimes de honra*. As mulheres que são violentadas são "manchadas" e muitas famílias preferem matá-las ou elas são obrigadas a casar com o violentador. Parece irreal para nossa realidade, mas... Vamos continuar.
Agora a Band está exibindo Sila. Ela é obrigada a se casar com Boran, o líder de um clã, porque seu irmão mais velho foi descoberto em uma relação ilícita com a irmã de Boran. Para não haver a morte do casal, houve uma troca de noivas. Não vou me alongar. O fato que quero ressaltar é que Sila não sabia que teria que se casar. Ela foi adotada quando pequena e depois de muitos anos, seu pai biológico volta, a engana e a leva de volta a sua terra natal para se casar com um estranho. Algum tempo depois, Boran, embriagado, obriga Sila a consumar o casamento.
Por serem casados, parece que não foi violência. Parece.
Agora, por que essas novelas fazem tanto sucesso no Brasil? Por que algumas mulheres estão apaixonadas por esses personagens? Eles são bonitinhos, mas há uma diferença entre atores e personagens. E não estamos aqui para assistir, ler, ouvir e achar tudo lindo, sem senso crítico.
Acho que esse fascínio cego vem de uma cultura com um quê de moderna e anti-violência contra mulher, mas enraizada no machismo. Ouvir dizer que mulheres gostariam de ser a Sherazade(de Mil e uma noites), Fatmagul e Sila é concordar com a submissão a maus-tratos e violência por causa de um cara bonito e um suposto amor.
A violência sexual não pode e não deve ser romantizada! Ela destrói a autoestima, o amor próprio, o senso de valor da mulher e até ela superar tudo isso não são apenas alguns meses como em uma novela. Leva anos, uma vida. Algumas nunca superam.
Eu estava trabalhando em uma história e um dos casais tinha uma história bem complicada que estava me desafiando em vários sentidos. Até eu perceber que a maneira como eu havia desenvolvido, chegaria a meu objetivo, mas havia algo ali que era de certa maneira uma violência contra a personagem e eu pisei no freio. Reavaliei e conduzi por outro viés.
O que quero dizer é que como espectadores, leitores ou escritores temos que ter em mente que nem tudo colocado sob uma ótica romântica merece ser romantizado. Os subtítulos das novelas trazem "Força do Amor" e "Prisioneira do Amor". Realmente, força é o que Fatmagul precisou ter para enfrentar homens poderosos e fazer justiça, para se superar, perdoar e tentar levar um casamento forçado. Prisioneira é o que de fato Sila é. Presa a um sistema de mentiras, a um casamento arranjado e ao perigo de ser morta a qualquer instante por ter "quebrado as regras". 
É muito fácil sermos influenciados, se não estivermos de olhos abertos e com as anteninhas críticas ligadas. O ser humano tende a se adaptar, se acostumar com algumas coisas. Isso inclui achar normal a violência doméstica, sexual, as músicas que denigrem a imagem feminina... Longe de feminismo ou qualquer outra bandeira partidária, mas como diz Alanis Morissette "essas são as versões da violência, às vezes subentendidas, às vezes claras". Até onde vai a linha tênue que divide o romance, de uma realidade violenta maquiada, tentando nos convencer que é amor um caso grave da Síndrome de Estocolmo?

*Crimes de honra são aqueles causados por qualquer comportamento que a família considere desonroso, incluindo relacionamento homossexual, relações fora do casamento, mulheres que abandonam a casa do marido ou até mesmo uma moça que seja vista conversado com um rapaz. Saiba mais em:




Friday, April 29, 2016

Sobre deixar de ser otária


Estava pensando em algumas coisas. Quando eu gosto de alguém, eu me preocupo com ela. Não de maneira superficial mas em todos os aspectos. Se ela está mal em alguma coisa, me importo e até fico triste por ela.
Uma das coisas que me atingem é quando a pessoa tem problemas de relacionamento. Ela fica mal por causa do namorado ou namorada, noivo, noiva, marido, esposa(tá, eu não tenho conhecidos ou amigos que ficam mal por ter brigado com a esposa, foi só exemplo) e eu fico também. Preocupo-me, oro... até tomo as dores. 
Só que há um pequeno detalhe: muitas vezes, esses romances de hoje parecem uma montanha-russa, um iôiô. Então, percebi que não dá para ficar nessa loucura por osmose. Se importar, orar por quem está sofrendo é válido. Mas se envolver muito emocionalmente não vale a pena. Definitivamente.
No fim, quem se desgasta é você e a outra pessoa fica bem. Pelo menos do jeito que ela está acostumada; terminando e voltando, separando e ficando junto de novo, brigando e fazendo as pazes. Até que ela própria decida o que de verdade quer e o que é melhor para si mesma.
Ou talvez quem precise mudar seja eu. Deixar de ser ingênua, sentimentalista ou, como diz minha irmão, deixar de ser otária.b

Soraya Freire é escritora, gestora ambiental e decidiu deixar de ser otária se preocupando demais com os outros.

Saturday, April 16, 2016

Para os que estão em uma situação confortável

Eu estava assistindo a uma palestra sobre auto sabotagem e fiquei pensando sobre algumas coisas. Aliás todas as vezes que eu leio algo sobre autoestima, superação, eu penso: ok, fácil falar. A verdade é(e acho que muita gente vai concordar comigo) que as pessoas em uma situação confortável fazem tudo parecer fácil. Não nego o quanto foi difícil para eles. Mas quem lê a história, o apanhado, parece mágico.
Eu costumo dizer que sou fã de Harry Potter, mas não acredito em magia. Principalmente se você está lutando para ficar bem, sabe que não existe nada mágico. É um dia de cada vez. E um parece pior do que o outro. O fim do túnel parece mais e mais distante. 
Para os que já superaram e estão em uma situação confortável basta dizer: vamos, levante, dê a volta por cima, vai conseguir! Ok, obrigada pelo incentivo. Mas, calma aí, não nos faça sentir pior porque não conseguimos de cara. Porque, algumas vezes, a melhor posição é a fetal, quando choramos até não aguentar mais.
Longe de criticar essas pessoas e histórias, pois eu gosto muito. O bom mesmo, nisso tudo, é o incentivo. Usar essas histórias como uma forma de seguir em frente, acreditar em um futuro melhor e uma maneira de encarar o presente sombrio. Não como fonte de ansiedade: todo mundo consegue, menos eu. Porque não importa quanto tempo vai levar para conseguirmos. Vai dar tudo certo! 

Soraya Freire é escritora, gestora ambiental e está sempre buscando histórias de incentivo para acreditar que é possível alcançar uma situação confortável.

Imagem: obviousmag.org

Saturday, April 9, 2016

Quando você desiste de um sonho...


Algumas vezes, desistimos de um sonho. Aí você diz: "Peraí, não se desiste de um sonho. Sonhos são para sempre". Eu costumo dizer que alguns para sempre são maiores que outros(parafraseando John Green :p)Por vários motivos desistimos de sonhos. E é um momento triste, carregado, como quando você perde alguém querido. É como se tivesse perdido uma parte de você.
Mas, às vezes, sentimos que algo não nos faz bem, por mais que queiramos aquilo. Você sonha com aquilo, mas ao invés de isso te impulsionar, te fazer bem, te fazer flutuar... você sente uma pressão, uma ansiedade ruim, tristeza por não alcançar. Aí percebe que o melhor é desistir.
Já os sonhos eternos são diferentes... Já tentei algumas vezes desistir de escrever. Fiquei semanas, meses, quase um ano inteiro, mas não consegui. Isso faz parte de mim. Preciso escrever por vários motivos e por nenhum também.(Inclusive, escrever aqui mesmo sabendo que ninguém está lendo.)
Quando desistimos de um sonho, passamos por um período de luto, mas percebemos que a vida segue, mesmo sem ele. Aos poucos, descobrimos outras possibilidades se abrindo, para novos sonhos, quando só pensávamos em alcançar determinada coisa.

Soraya Freire é escritora, gestora ambiental e já desistiu de um sonho. Menos do sonho de ser escritora em tempo integral. 

Imagem: www.caculadepneus.com.br

Sunday, April 3, 2016

Pensamentos Negativos: Mais um dia

Uma pessoa disse que no tempo em que as pessoas tinham fé, na Sexta-feira Santa, ninguém penteava os cabelos, nem varria a casa. Fiquei pensando naquele versículo da Bíblia em que Jesus diz para não rasgar as vestes, mas os nossos corações. Acho que na Páscoa, Deus não quer cabelos bagunçados e casa suja, mas renovação, mudança. Principalmente, mudança de pensamentos.
Aí, me peguei pensando como é difícil fazer uma mudança de pensamentos. Principalmente se os pensamentos negativos já estão arraigados. Leva tempo, muito tempo.
Lembro de quando li "O Segredo", de Rhonda Byrne, em 2008. Caso você não saiba ou não lembre, esse livro causou uma revolução na literatura de autoajuda. E há quem diga que mudou o modo de vida de milhões de pessoas. E outros céticos dizem que o pensamento positivo afundou a economia dos Estados Unidos. Pesquisa aí e vai achar uma entrevista com uma economista falando sobre isso.
Ok. Falando de pensamento positivo. Eu li esse livro e, claro, achei que tinha descoberto O segredo. Mas o que descobriria, depois de ler muitos outros livros sobre a mesma temática, é que funciona. Por um tempo. 
 O pensamento negativo é como um vício. Em álcool, cigarro e outras drogas. As pessoas muitas vezes tem a vontade de abandoná-los, mas as recaídas geralmente são muitas. Funciona como um vício mesmo. Você começa com todos aqueles mantras que são ensinados e vai bem por uns dias ou até semanas, até se pegar de novo na espiral das vozes críticas e negativas na sua cabeça. 
Recentemente vi um livro chamado "Manual da Anti Autoajuda Para quem não consegue pensar positivo". Quero ler para ver o que ele me diz.
Você quer dizer que o pensamento positivo não funciona, Soraya? Não! O pensamento positivo funciona. Mas que leva tempo. Assim como a recuperação de um aditivo. É "uma longa obediência na mesma direção", é um dia de cada vez, é manter a consciência de que é preciso mudar e fazer isso todo dia. 
"Caminhos difíceis podem levar a praias incríveis."(John, "Um amor de pai")
"A subida é difícil mas a vista é linda."(Do filme "Hannah Montana")
Essas duas músicas da Alanis Morissette ilustra bem a luta contra pensamentos negativos: https://www.letras.mus.br/alanis-morissette/spiral/traducao.html

Soraya Freire é escritora, gestora ambiental e luta contra pensamentos negativos o tempo todo.

Tuesday, March 22, 2016

Exercitando a paciência

Você acha que a parte mais difícil da vida de um escritor é escrever o livro? Todo aquele tempo que passamos pesquisando, dormindo tarde, com todos aqueles diálogos girando na cabeça... Todo o tempo que passamos quebrando a cabeça para encaixar cada detalhe, para tudo fazer sentido... Escolher nomes de personagens, onde a história será ambientada, pesquisar o lugar se não o conhece... Se for em outra época, saber sobre vestuário, modos de falar, qual tecnologia existia naquele tempo... Ai! Cada detalhe faz diferença.
E depois vem a revisão. E a maioria dos escritores vai concordar que essa é a parte mais chata de todo trabalho. Mas uma das mais importantes, certo?
E aí, quando você vence no primeiro nível, o segundo. Vem o terceiro. Escritor X Editora. Porque até que você encontre uma que será sua parceira e lutará pelo seu livro junto com você, parece uma guerra. É como encontrar o par perfeito. Você vai sofrer muito com todos os caras idiotas, sem coração, insensíveis, que não fazem ideia do que é amor e romance, até achar aquele que faz valer a pena. Porém, a verdade é que assim como no romance talvez ele não apareça.
Esperar a resposta das editoras é um tormento. Algumas até cumprem o prazo que estipulam. Mas você espera seis meses para receber uma cartinha elogiando seu texto, mas não há espaço na grade, nos próximos dois anos  e desejando sorte. Sorte é o que você vai precisar. E se você acredita em Deus, comece a orar!
E tem aquelas digníssimas que falando em um linguagem comum, deixam você no vácuo. Nem sequer se dão o trabalho de dizer que recusaram. A não ser que você esteja disposto a pagar pela publicação... Aí tudo muda. Em alguns dias você terá a resposta. E pode ser que ela não seja tão agradável, mesmo que seja dizendo que há interesse na publicação do seu livro. Estou falando do preço cobrado.
É talvez essa espera que faz com que alguns de fato prefiram a auto-publicação. Em alguns dias terá a resposta, pagará e terá seu livro publicado. Agora com o advento dos ebooks, há outra alternativa. Geralmente, você nem precisa pagar nada. Basta se cadastrar e fazer o upload do seu arquivo. É uma alternativa que requer coragem, como aqueles que decidem seguir na vida sozinhos, por algumas decepções, ou optam por uma produção independente, pois o tempo está passando e algum dia pode ser tarde.
Para os que vão esperar, será um exercício de paciência. Ao final, sua paciência será capaz de erguer uma série de cinquenta cada.

Soraya Freire é escritora, gestora ambiental e está exercitando a paciência. 

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